Ante a Dor

ANTE A DOR

Quando a alma mergulhou na carne referta de vibrações, desejou transmitir toda a musicalidade que conduzia virgem, e para que o tumulto do ambiente não lhe perturbasse a evocação, perdeu, paulatinamente, os registros auditivos para somente escutar nas telas da mente os acordes sublimes da natureza e de Deus — e Beethoven ficou surdo!

Para expressar a melancolia suave e a pungente saudade de algo que não se pode identificar , Chopin experimentou a amargura do coração perdido entre desejos e decepções.

Destinado a ferir as cordas da emoção e tangê-­las com habilidade, o espírito retornou ao palco de antigas lutas para defrontar-­se com inimigos acirrados e vencê­-los através da auto­-doação, enchendo a Terra de musicalidade superior. Inquieto, todavia, fraquejando sem cessar, Schumann deixou­-se arrastar pela caudal da obsessão, conquanto fizesse incomparável legado, através do Lied e das nobres melodias para piano.

* * *

Oh! Dor bendita, libertadora de escravos, discreta amiga dos orgulhosos, irmã dos santos, mensageira da verdade, tanto necessitamos do teu concurso, que se nos afiguras um anjo caído, a serviço da misericórdia para sustentar-­nos na luta redentora! Ensina-­nos a descobrir a rota da humildade para avançarmos com acerto.

* * *

A dor é a mensageira da esperança que após a crucificação do Justo vem ensinando como se pode avançar com segurança. Recebamo-­la, pacientes, sejam quais forem as circunstâncias em que a defrontemos, nesta hora de significativas transformações para o nosso espírito em labor de sublimação.
O sofrimento de qualquer natureza, quando aceito com resignação — e toda aflição atual possui as suas nascentes nos atos pretéritos do espírito rebelde — propicia renovação interior com amplas possibilidades de progresso, fator preponderante de felicidade.

 

A dor faculta o desgaste das imperfeições, propiciando o descobrimento dos valiosos recursos, inexoráveis, aliás do ser.

Após a lapidação fulgura a gema.
Burilada a aresta ajusta-­se a engrenagem.
Trabalhado, o metal converte-­se em utilidade.
Sublimado pelo sofrimento reparador o espírito liberta-­se.

***

De tal modo brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus.
(Mateus, 5:16)

***

Daí se segue que nas pequenas coisas, como nas grandes, o homem é sempre punido por aquilo em que pecou. Os sofrimentos que decorrem do pecado são­-lhe uma advertência de que procedeu mal.
(O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Capí tulo 5º — It em 5)

***

Livro: Florações Evangélicas
Pelo Espírito: Joanna de ângelis
Psicografia: Divaldo Pereira Franco

Amigo Leitor
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Que Jesus o abençoe.
Muita Paz & Luz!

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